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Consagre ao Senhor tudo o que você faz, e os seus planos serão bem-sucedidos. Provérbios 16:3

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

O AMOR COBRE MULTIDÃO DE PECADOS


Será que a caridade pode efetuar o perdão de pecados? Será que você
pode apagar algum pecado seu ou de outro através de um sacrifício ou
doação? Isolada e interpretada sem o contexto maior, a frase do
apóstolo Pedro “o amor cobre multidão de pecados” já deu a alguns a
idéia de que um ato, um sacrifício, ou um grande esforço ou abnegação
poderia efetuar o perdão de pecados seus, ou de outra pessoa.

Mas, será que é isso que Pedro quis dizer em 1 Pedro 4:8 quando ele
escreveu “Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os
outros, porque o amor cobre multidão de pecados.”?

Primeiramente, a palavra traduzida como “perdão” ou “perdoar” na NTLH
e NVI significava originalmente “cobrir, ocultar ou esconder”. Em
nenhuma das outras passagens em que ocorre no Novo Testamento (como
Mt 8:24; 2 Cor 4:3; ou Mt 10:26) a palavra significa “perdoar”. Esta
palavra é melhor traduzida como nas versões da Revista e Atualizada e
a Corrigida por “cobre” (o amor cobre multidão de pecados).

Para entender esta passagem, é fundamental partirmos do princípio de
que o perdão de pecados vem somente em Cristo e por meio do
sacrifício redentor dEle.
- “Jesus, porém, tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício
pelos pecados, assentou-se à destra de Deus.” Hebreus 10:12
- “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe
nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que
sejamos salvos.” Atos 4:12

Nenhum ato nosso, por maior ou mais doloroso que seja, pode efetuar o
perdão de um único pecado. Somente o sacrifício de Jesus foi capaz de
fazer isso, e somente o sacrifício dEle na cruz é aceitável a Deus
para perdão de pecados. Eu não consigo perdoar pecados, nem meus nem
de outros no sentido absoluto. Eu posso perdoar o que alguém fez para
comigo. Mas, não consigo para ele perdão diante de Deus pelo que ele
fez. Isso só Deus pode fazer.

Mas, como é então que o amor “cobre” pecados se não os perdoa? Vemos
isso no contexto maior. A frase completa de Pedro é “Acima de tudo,
porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre
multidão de pecados.” Este amor “intenso” (ou como traduz a NVI
“sincero”) é um amor determinado. Não é um amor casual, que nasce de
emoção ou algum vínculo passageiro. É o amor que vem daqueles que já
descobriram o quanto Cristo sofreu “na carne” (4:1) por eles.

Pedro começa esta parte da carta relembrando seus leitores “Uma vez
que Cristo sofreu corporalmente, armem-se também do mesmo pensamento,
pois aquele que sofreu em seu corpo rompeu com o pecado, para que, no
tempo que lhe resta, não viva mais para satisfazer os maus desejos
humanos, mas sim para fazer a vontade de Deus.” (1 Pedro 4:1-2) Parte
desta vontade de Deus é o amor mútuo, uns para com os outros, um amor
que é tão forte que é capaz de não só perdoar, mas, de procurar
poupar quem pecou contra nós.

Lenski, no seu comentário sobre esta passagem, refletiu "Amor esconde
(os pecados dos outros) da sua própria vista, mas, não da visão de
Deus. O ódio faz o contrário, ele bisbilhota para descobrir algum
pecado ou semelhança de pecado num irmão, para daí espalhar e até
exagerar, festejando a descoberta." Ou seja, aquele que compreendeu o
quanto Cristo o amou, ao ponto de sacrificar seu próprio corpo por
ele, vai amar seus próximos com um amor sincero e determinado. Ele
vai deixar de lado os danos que sofre, vai olhar além das falhas do
seu próximo e vai, no que competa a ele, “cobrir” os pecados dos
outros.

Não podemos “pagar” pelos nossos pecados amando outros, ainda que de
forma sacrificial. Nem tampouco podemos fazer isso pelos pecados dos
outros. Mas, podemos fazer algo que, para seres humanos, talvez seja
ainda mais admirável – cobrir o mal que outro fez conosco. Ao invés
de tornar notório, de espalhar, ou de perseguir a “justiça” por um
mal feito contra nós, nós podemos decidir fazer parte da “justiça” de
Deus – de encobrir o pecado, a falha, o fracasso do outro.

Certa vez após a sua ressurreição, Jesus se encontrou com o próprio
Pedro numa praia, sentado com os outros discípulos ao redor de uma
fogueira (João 21:15-17). Jesus escolheu não lembrar a Pedro (e aos
outros) o quanto Pedro falhou na sua promessa de ir com Jesus até a
morte, e, pior ainda, que ele negou o Mestre veementemente em
público. Jesus teria todo direito de levantar aqueles pecados, de
repreender a Pedro, de indagá-lo se ele estava mesmo arrependido.
Mas, tudo isso Jesus deixou para trás. Ele cobriu.

Ao invés disso, Jesus apenas perguntou a Pedro se ele O amava. Jesus
sabia o quanto Pedro estava envergonhado pelo seu pecado. E querendo
“cobrir” isso, Jesus sequer mencionou; apenas deu a esse querido
discípulo a oportunidade que ele tanto precisava de se redimir, e em
público, de talvez o maior e mais doloroso pecado da sua vida –
pecado justamente contra Ele, Jesus. Depois de acolher a declaração
de Pedro, o pecador, Jesus confiou a ele a grande missão da sua vida:
“Pastoreia as minhas ovelhas.”

Imagine o quanto isso significou para Pedro. Será que ele estava
lembrado daquilo que Jesus fez com ele, Pedro pecador, quando ele
escreveu “tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor
cobre multidão de pecados”?


Texto de Dennis Downing

Dúvidas? Leia mais sobre esta passagem em Um Estudo Sobre 1 Pedro 4:8

Veja também: O Caminho

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