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Consagre ao Senhor tudo o que você faz, e os seus planos serão bem-sucedidos. Provérbios 16:3

domingo, 15 de junho de 2014

Adeus, chucha!

Adeus, chucha!

Levar o filho a abandonar a chucha pode ser um drama para os pais que não sabem lidar com o problema. Descubra como negociar com o seu filho para que deixe a sua “melhor amiga” de forma gradual, sem pressão e sem traumas.
Pode ser a melhor amiga das crianças e ao mesmo tempo o pesadelo de muitos pais. São tantas as histórias que ouvimos sobre a dificuldade em tirar a chucha que quando as crianças nascem, muitos pais fazem tudo para não dá-la aos filhos. No entanto, para alguns torna-se inevitável e, por uma ou outra razão, num momento de aflição ou de desespero, nada melhor do que o consolo da chucha.

O uso da chupeta, assim como a idade a partir da qual este objecto é desaconselhado, continua a ser um tema controverso e pouco consensual. Segundo alguns estudos, o uso da chucha interfere com a amamentação e, por isso, esta só deverá ser oferecida ao bebé quando o pequeno já aprendeu a mamar e a mãe se encontra perfeitamente confiante na amamentação.

A sucção é um ato instintivo na criança. Mesmo dentro da barriga da mãe, o bebé já chucha no dedo. Basta ver as inúmeras eco grafias em que surge de dedo na boca. Mónica Pinto, pediatra do neuro desenvolvimento, diz-nos que “a chucha é uma forma de auto consolo da criança que pela estimulação oral se aproxima muito do conforto sentido com a mamada e pelo movimento repetitivo serve de relaxante”. O ato de chuchar é, deste modo, um comportamento que oferece conforto e segurança à criança e deve ser encarado como fazendo parte do seu desenvolvimento normal, quando não se torna excessivo.

Joaquim Vítor, psicólogo, considera que o uso da chucha é uma forma do bebé encontrar o seu equilíbrio e auto gerir-se. No entanto, “é importante que a criança encontre outras formas de se gerir e, portanto, é fundamental equilibrar e limitar a utilização desta ‘ferramenta’”, sublinha o psicólogo.

Com bom senso e algumas regras no seu uso, os benefícios da chupeta são vários: proporciona conforto sem a presença de um adulto, estimula a sucção e aleitamento, facilita a digestão e fortalece a musculatura oral. Os movimentos rítmicos, a sensação de conforto e até de companhia trazida pela chucha têm o poder de organizar mentalmente o bebé, de o serenar quando chora, de induzir o sono e até de afastar temores. Mas lembre-se: a chucha não pode substituir o carinho dos pais e, como tal, não deve ser dada sempre que o pequeno chora. Opte antes por segurá-lo ao colo e dar-lhe atenção.

Qual a melhor altura?

Para a maior parte das crianças pequenas, a chucha é, em menor ou maior grau, uma companheira indispensável. E falamos em maior parte das crianças porque nem todas precisam de usar chucha: “algumas encontram outras formas de auto consolo, pelo que o seu uso não deve ser incentivado se não for necessário”, adverte a pediatra do neuro desenvolvimento.

Mas se a sua utilização for desmedida e prolongada poderá trazer problemas para a criança e dificultar o seu abandono. Quem nunca ouviu a preocupação de um pai ou de uma mãe receosos de que os dentes do filho fiquem tortos, que a criança não deixe de chuchar no dedo, que o faça em todo o lado ou que não consiga largar a chucha?

De facto, embora algumas crianças dispensem o uso da chucha (sim, há crianças que a recusam) ou então abandonarem-na de livre e espontânea vontade, outras parecem nunca querer fazê-lo. Se entre os dois e os três anos o uso da chucha não levanta habitualmente preocupações aos pais, a partir desse momento a maioria dos progenitores acha que o filho, que corre e fala com certa fluência, é já "demasiado crescido" para continuar a usar a chupeta e começa a pensar de que forma poderá afastá-la da criança. Mas a tarefa não se avizinha fácil.

Embora não exista uma idade adequada para as crianças largarem a chucha, os especialistas recomendam que se desencoraje o uso deste acessório a partir dos dois anos. Mónica Pinto explica-nos que “a partir da idade em que a criança começa a falar, a chucha começa a ser um empecilho uma vez que funciona como uma rolha e inibe a produção de sons”. Por essa razão, a pediatra recomenda que “no segundo ano de vida se tente reduzir o uso da chucha durante o dia e que esta seja reservada para situações de consolo ou para adormecer”, sendo que entre os dois e os três anos devem tentar o abandono definitivo da chucha.

Evite métodos radicais

Largar a chucha nem sempre é uma transição fácil para as crianças e muitos pais não sabem como ajudá-las a abandonar um hábito que as acompanha há tanto tempo. Neste processo, uma coisa é clara: nenhuma criança abandona facilmente o hábito de chuchar de forma contrariada e forçá-la só vai piorar a situação.

Como tal, a retirada “brusca” da chucha, o uso de métodos como mergulhar a chupeta em substâncias amargas, deitá-la no lixo, ameaçar ou castigar estão fora de questão, podendo mesmo ter o efeito contrário aquilo que se deseja. “As estratégias negativas ou punitivas raramente ajudam a superar a ansiedade na criança e pelo contrário podem agravar a sua dependência e instabilidade e ser causa de birras. Deve sempre tentar-se de forma positiva e mostrando à criança como está crescida, como a chucha é dos bebés, apelar à sua autonomia e vontade e não usar estratégias que a rebaixem ou agridam”, sublinha Mónica Pinto.

Então, o que fazer? Em primeiro lugar, é preciso arranjar uma grande dose de paciência e compreender que este processo poderá demorar algum tempo, com crises de mau feito e choro à mistura, avanços e retrocessos. Por exemplo, se a criança resistir muito a esta mudança, é importante perceber porque é que precisa tanto da chucha e modificar o que está na base dessa dependência. Depois, é importante ir preparando a criança para o cenário pós-chucha, favorecendo sempre o desenvolvimento emocional saudável.
Durante esta fase é importante que não se fale muito na redução do uso da chucha à criança, pois podemos estar a intensificar o desejo que o pequeno tem de obter o objecto proibido. Para Joaquim Vítor, este deve ser um processo progressivo e positivo, no qual a criança deve começar por deixar de usar a chucha nos contextos em que depende menos deste objecto, ao mesmo tempo que se introduzem outras estratégias de auto regulação.

Comece por explicar à criança que já está a ficar muito crescida e que já não necessita de andar com a chupeta durante o dia. “O ideal será a criança ir ficando progressivamente menos dependente da chucha, reduzir a sua frequência de dia, passando a usá-la somente à noite, até que a abandona totalmente porque deixou de haver necessidade ou porque se encontraram outros elementos de conforto (aquela boneca que está na cama ou a almofada fofinha a que se abraça)”, explica o psicólogo.

Estratégias para abandonar a chucha


O uso da chupeta é um hábito que pode ser difícil de abandonar. Felizmente, há algumas medidas que os pais podem implementar para facilitar a separação desse objecto tão querido:

- Estabeleça uma data, em conjunto com a criança, para deixar a chupeta e começar a preparar esse momento progressivamente. Comece a restringir o seu uso, usando-a apenas para dormir ou em momentos de crise e não ao longo do dia.

- Não inicie este processo em simultâneo com outros acontecimentos importantes, tais como o nascimento de um irmão, a mudança de casa ou de escola. É neste tipo e momentos que a criança mais necessita de se sentir segura.

- Não force. Não esconda, nem deite fora a chucha de um dia para o outro, à revelia do seu filho. Vai chegar um dia em que a criança vai tomar a iniciativa de dormir sem este acessório. Esse é o melhor e mais eficaz método: respeitar o seu timming.

- Sempre que o seu filho peça a chucha, tente dirigir a sua atenção para outras actividades, sublinhando que estas já são "coisas de gente crescida".

- Avise todas as pessoas com quem a criança convive de que tomou decisão de iniciar o processo de retirada da chucha (família, amigos e creche). Convém que todos os que interagem com a criança estejam por dentro do plano e cumpram as indicações.

- Evite censurar ou fazer comentários negativos. Felicite a criança pelos progressos adquiridos, reforçando o comportamento de “menino(a) crescido(a)”, e recompense-a com uma dose de mimos e brincadeiras.

- Quando a chupeta começar a ficar deteriorada, aproveite esse facto para se ver livre dela. Numa conversa directa e simples, explique à criança que a chupeta está estragada e já não é seguro utilizá-la, por isso, está na hora de ir para o lixo. O ideal é que seja a própria criança a deitar a chupeta no lixo. 

A verdade é que são muitas as estratégias utilizadas pelos pais e que podem surtir efeito. Mónica Pinto revela-nos que um exemplo que costuma funcionar quando as crianças estão na creche é organizar uma visita ao jardim zoológico e, depois de combinado com os funcionários, tratadores e todo o grupo de crianças, se dá a chucha aos macacos. “Assim, e com a ajuda dos pais, as crianças deixam de vez a chucha, até porque vêem os macacos a brincar com as suas chuchas e percebem que se foram de vez, ao mesmo tempo que é uma aventura”.

O importante é ser consistente na sua decisão, não voltar atrás com a sua palavra e encontrar formas alternativas de consolo que a criança possa ter sempre que necessite de se acalmar, como um boneco, uma almofada ou uma fralda. E, claro, como realça o psicólogo, envolver a criança em todo este processo, apoiando-a e explicando-lhe as razões para a retirada da chucha. Ao agir desta forma a despedida da chucha poderá ser mais fácil.

Fontes:
- Joaquim Vítor, psicólogo
- Mónica Pinto, pediatra do neuro desenvolvimento
- O Livro da Criança, de Mário Cordeiro, A Esfera dos Livros  

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